sábado, 10 de julho de 2010

Verdes...

Eu tinha por aí uns 8 a 10 anos, e andando com a minha Nonna pelas ruas de Lindóia, ia ouvindo suas estórias e histórias. Eram palavras que se repetiam, muitas vezes, de outros andares, outros anos, outras ruas. 
E eu adorava...


Recorrentes eram as poesias, que ela amava e sabia de trás para diante. Adorava me falar de Fernão Dias e sua busca incessante e insana por um almejado tesouro: as esmeraldas. Ela me recitava Gonçalves Dias e Bilac:


"Verdes, os astros no alto abrem-se em verdes chamas;
                                                            Verdes, na verde mata, embalançam-se as ramas;



E flores verdes no ar brandamente se movem;
Chispam verdes fuzis riscando o céu sombrio;


Em esmeraldas flui a água verde do rio,
              E do céu, todo verde, as esmeraldas chovem..."



E me contava a história do poema. Da ilusão do Bandeirante em seu delírio febril, agarrando ao peito reles pedras, crendo serem todas esmeraldas. Um tesouro falso...


Queria me fazer entender que, muitas vezes, passamos a vida correndo atrás de tantas coisas (e agarramos várias delas) que sequer conseguimos reconhecer, e, que, enquanto isso a vida passa e a gente acaba por perder os verdadeiros tesouros que passaram por nós. Simplesmente por não termos tido a sensibilidade de ver. 


Lições preciosas de uma mulher desbravadora e sábia. Lições dessas que eu só vim a entender muitos anos depois... e, fazem com que eu sussurre, hoje,  num silêncio, quase prece:   ah...Nonna, entendi...


 obrigada...


talvez por esses passeios e esses poemas eu tenha aprendido a passar e deixar rolar tanta pedra, linda, brilhante e falsa...








 e tenha parado ao enxergar uma esmeralda...